Estação Central

Novembro 18, 2009

Crescendo


Roland Emmerich tem um hábito engraçado para os filmes catástrofe que dirige. Primeiro os aliens atacam e escravizam pequenos grupos de terrestres, depois atacam e escravizam o planeta inteiro, depois há um monstro que destrói Nova Iorque, passa por uma alteração climática que congela metade do planeta e agora, com o novo filme, destrói o planeta inteiro. Creio que é a isto que se chama crescendo.

Para continuar neste ritmo a coisa vai ter que se tornar mais radical. Creio que o próximo passo vai ser destruir o sistema solar. Ou a galáxia. Vamos a ver, porque se ele tem razão, e copiando uma velha piada, a crise acaba em 2012.

Novembro 12, 2009

O tornozelo de Cristiano Ronaldo


Com a questão do tornozelo de Criatiano Ronaldo ultrapassada lá vamos jogar, para meu descanso, sem o melhor jogador do mundo. Sim, para meu descanso, leram bem. O Cristiano Ronaldo não é jogador para uma selecção em qualificação por diversos motivos, dos quais destaco o facto de ele ser o suposto capitão (malfadada a hora em que alguém se lembrou do assunto), de ser a estrela para quem vai a bola cerca de 1.3 segundos (valor mediano) depois de entrar na posse dos jogadores portugueses e o simples facto de ele não ser em qualificação o jogador que é em torneios.

Explico-me: Cristiano Ronaldo é o melhor jogador do mundo não só pelo que faz mas também porque quando tem a bola atrai logo três jogadores adversários (valor médio). Só que, contra equipas de treta, daquelas que se encontram nas qualificações, os adversários atiram com 5 jogadores para cima dele. Sendo ele o melhor do mundo, sabendo-o mas sendo algo burrinho, o Cristiano Ronaldo não larga a bola, o que significa que passamos 80% do tempo de posse de bola a perdê-la por causa do melhor jogador do mundo. Por outro lado os adversários defendem em cima da área e é sabido que o Cristiano Ronaldo é bom é a arrancar do meio campo. Sem espaço não funciona bem.

Por isso é que prefiro que ele não jogue contra a Bósnia e Herzegovina, porque os tipos vão defender em cima e sair para o contra-ataque e isso é mau para a selcção nacional a jogar com o Cristiano Ronaldo. Assim podemos perfeitmente jogar em 4-3-3 com extremos bem abertos e só com um ponta de lança. Como os bósnios e herzegovinos jogam com laterais ofensivos e três centrais, conseguimos anular os laterais (não podem subir) e deixar os centrais à nora (só têm um tipo, que mal se vê - Liedson - para marcar).

Depois é jogar com o Pepe a Trinco, o Ricardo Carvalho e o Bruno Alves a centrais por causa do jogo aéreo e esperar que os gajos das alas e do meio campo lá se decidam a resolver o jogo. Aprendam que eu não duro para sempre.

Novembro 10, 2009

Os gigantes esquecidos

Lia-se a imprensa de ontem e viam-se os nomes de Leh Walensa, Mihaíl Gorbachov, Ronald Reagan, George Bush, etc. Infelizmente não se lêem os nomes dos dois homens que, provavelmente mais que quaisquer outros, terão contribuído para a Queda do Muro: Willy Brandt e Helmut Kohl. O primeiro graças à sua Ostpolitik, o segundo com as suas acções para a reunificação das duas Alemanhas.

Da minha parte, o meu obrigado. Ich bedanke mich sehr herzlich.

Apenas uma cidade e um muro


O Tiago pode ter boa memória e ter a sorte de não ser atraiçoado por ela, mas a sua análise da memória (ou da história, coisas bem diferentes) deixa a desejar. Escreve ele que a queda do Muro de Berlim foi «a melhor coisa que aconteceu nas últimas décadas e permitiu que a minha [do Tiago] geração vivesse calmamente, fora do perigo de uma guerra estupidamente iminente». Não sei se terá sido a melhor coisa que aconteceu nas últimas décadas, para dizer a verdade, embora esteja no topo das diferentes alternativas, mas sei que não permitiu a nenhuma geração viver calmamente e fora do perigo de uma guerra estupidamente iminente.

Primeiro que nada a questão d'A Guerra. Assim mesmo, usando maiúsculas e negrito. Porque é da guerra nuclear, do confronto global, da III Guerra Mundial, entre os EUA e a URSS, entre a NATO e o Pacto de Varsóvia, que Tiago está a falar. Só que essa é uma guerra que não aconteceu e não aconteceria. Não aconteceu quando poderia ter acontecido e não tinha a menor hipótese de acontecer depois. Acreditar nisso é para quem tenha visto vezes demais o Red Dawn.

Quanto à questão da paz, bom, falta saber de quem fala Tiago quando se refere à "minha geração". A toda a gente na Europa/Mundo ou apenas a Portugal? Se a Portugal, então o Muro de Berlim não terá feito grande diferença, em pé, caído ou sentado. Se ao resto do mundo ou da Europa, recomendo a Tiago que vá ler a História dos útimos 20 anos e a contraponha aos 40 anteriores. A Europa não ficou mais pacífica, antes pelo contrário. O Mundo? Anda pelo mesmo, mais coisa menos coisa.

Por último há que referir que a queda do Muro não foi um momento que mudou o mundo, não iniciou qualquer acção dominó como a encenação de ontem quis insinuar. A queda do Muro foi apenas o símbolo, o sintoma de um conjunto de mudanças que aconteceram e iam acontecendo, independentemente da existência de uma parede de betão.

Repito que a queda do Muro de Berlim foi um grande momento, importante no imaginário colectivo. Mas não se faça do acontecimento O acontecimento do século. Como li em tempos, o século XX europeu começou e terminou nos Balcãs. A este talvez tenha acontecido o mesmo. Berlim é apenas uma cidade onde se sentam as pessoas, não onde sucedem as coisas.

Novembro 09, 2009

20 anos depois


Há vinte anos caiu o muro de Berlim. Mais do que a destruição de uma parede de cimento e betão, a queda simbolizou o fim do regime pseudo-comunista (Marx daria voltas no túmulo se soubesse ao que se deu o nome de comunismo no século XX) no leste da Europa e a abertura de metade de um continente aos seus primos ocidentais. Motivo para festejar.

Será? Para muitas pessoas que faziam parte desses povos opimidos talvez não o seja. Não que não estejam, na maior parte das vezes, gratos pela abertura dos regimes e pela liberdade de que usufruem, mas antes porque os seus desejos e as suas ânsias não foram satisfeitos como esperariam naqueles dias de Novembro em que atravessaram fronteiras e destruíram barreiras. Aos sorrisos de então não sucederam naturalmente sorrisos actuais.

As razões serão muitas, mas a principal terá sido a inércia. Inércia pós-queda a contrapôr à enorme actividade pré-queda. Toda a energia que foi colocada em destruir o muro e em fazer cair o império soviético foi depois dissipada quando deveria ter sido colocada ao serviço da recuperação das populações que entravam agora num mundo que não conheciam. Não bastou instalar os arcos dourados do capitalismo no centro das capitais europeias para que a democracia e a satisfação se instalassem milagrosamente, havia também que recuperar um atraso estrutural para que tudo fosse feito da forma mais indolor possível.

Só que, como no Afeganistão em 1989 e no Iraque em 2003, se julgou que o mais difícil estva feito, que a "missão" estava "cumprida". Não estava. As especificidades de múltiplos países foram ignoradas e as condições de vida e as características locais foram ignoradas.

Teria sido sempre importante notar que uma Polónia católica nunca seria igual a uma Bulgária ortodoxa, que uma Checoslováquia centro-europeia seria diferente de uma Jugoslávia pertencente ao sul, que uma Roménia essencialmente latina seria distinta de uma Hungria com traços específicos e um passado imperial. Mais que tudo, ignorou-se que a principal moeda de troca no Bloco de Leste era o orgulho, um orgulho essencialmente eslavo, que não é facilmente trocado por televisores a cor nem abandonado por automóveis.

Também a questão cultural foi ignorada. Habituados a décadas de acesso fácil a bons produtos culturais (e não tão limitados quanto se pensa), os habitantes desses países não digeriram facilmente a americanização da oferta cultural, ao memso tempo cara e pouco subtil. Em termos puramente técnicos faltou igualmente o acompanhamento necessário para a transformação dos países em fornecedores de um mundo mais diversos e menos organizado e previsível que aquele que conheciam. O mesmo se pode dizer dos técnicos formados em universidades de grande qualidade, mas desprezados por um Ocidente que prefere as suas próprias colheitas.

Olhar para o leste e ver a viragem para partidos nacionalistas ou tradicionais não é de estranhar. Antes deveria ter sido previsível desde o início. Ver um presidente da República Checa a atrasar tanto quanto pode a ratificação do Tratado de Lisboa, sob esta óptica, é apenas e só natural. Um sintoma de um sentimento generalizado ao longo de todos aqueles países.

Hoje, ao olhar para Berlim, não podemos pensar apenas no país que foi reunificado depois de ter sido repartido por enganos e erros. Devemos pensar em tudo o que se situa a leste da Porta de Brandenburgo e em como, ao fim de 20 anos, ainda há quem conserve pedaços de muro mais que turísticos. É nesses locais que devemos pensar nos próximos 20 anos, quando festejamos os anteriores.

Novembro 04, 2009

Memórias de Berlim


Agora que passam 20 anos sobre a queda do Muro de Berlim anda muita gente a falar do assunto nos seus blogues. Dos mais interessantes nesse aspecto (como noutros) é o Delito de Opinião, especialmente nestas duas tags.

No meu caso, limito-me a repescar um post que escrevi há mais de 4 anos, a 21 de Outubro de 2005, no meu primeiro blogue (já defunto): À Deriva. Aqui fica.

Berlim, uma história Pop

Dentro de cerca de um mês cumprir-se-à um ano de uma memorável viagem que eu, o Postini e uma amiga nossa - cujo nome, como é de bom tom nas histórias pop, não se menciona - fizemos a Berlim. Viagem? Deveríamos chamar a isto uma romaria. Afinal de contas, o leit-motiv, driving-force, raison d'être desta viagem foi um dos artistas maiores deste - e de outros - género: Tom Waits, que se apresentava em três espectáculos únicos - num sentido muito especial.

Como os espectáculos foram de segunda a terça, o fim de semana serviu para ver Berlim e, num arrebatamento, viver dois momentos que talvez apenas aí se possam viver: uma noite - sábado - com um espectáculo DJ de soul - do bom, não xaroposo - e outra - domingo - com concerto memorável de um ícone próprio de Berlim - Nick Cave, muito por cortesia de Wim Wenders e Blixa Bargeld.

Nestes dois eventos, associados a Tom Waits, bem como nos passeios pela cidade, foi possível ver e sentir a história e vida da mesma. Berlim, por si mesma, não foi uma cidade marco na história pop até há pouco tempo. A História em si mesma passou demasiado por aqueles lados para permitir que algo tão comezinho como a pop pudesse ser sentido de forma marcante. Isto não significa, no entanto, que a História em si mesma tenha sido pop. Afinal, os ingredientes estão todos lá.

Os mais óbvios são os ícones: o Muro, o Reichstag, o Checkpoint Charlie, a Siegesäule ou mesmo os Trabant. Por outro há as imagens, vistas e revistas em dezenas, centenas de fotografias e pinturas alusivas à cidade e que retrataram, em cada momento, a sua vida. Há ainda as frases "Ich bin ein Berliner", por exemplo. Há, por fim, a história dos excessos e da dualidade: um mundo livre, símbolo dessa mesma liberdade e vítima dos seus excessos, a par com um outro mundo, mais reprimido mas, precisamente devido a essa repressão, mais inventivo e criativo como forma de passar a sua mensagem. Há também as emoções: lágrimas de dor e felicidade, amor e ódio, vidas e mortes. E há o símbolo máximo: as duas cidades, ícones por direito próprio, como duas faces da mesma moeda. Quem não vê aqui uma dualidade Beatles/Beach Boys ou, recentemente, Oasis [sic]/Blur? Note-se que até mesmoa idade desta história - cerca do início dos 50, acompanha a Pop, lado a lado, de mão dada. As semelhanças são tão grandes que fica a questão se a Pop inspirou a imagem de Berlim, se Berlim inspirou a imagem da Pop.

Tudo isso me passou pela cabeça há um ano atrás. Desde o momento em que chegámos e o nosso primeiro Trabant. No momento em que, fora do recinto onde iria ser o memorável concerto de Nick Cave, comprámos um bilhete numa candonga que, apesar de tudo, não era cara. Vimos isso numa ida à Siegesäule - Coluna da Vitória - onde não pudemos entrar porque estava fechada, quais aspirantes pop que perderam a oportunidade por falta de timing. Mesmo nos espectáculos o vimos: Soul numa discoteca na parte oriental, com sons e ambiente retro, num concerto de Nick Cave com primeiras partes de uma banda a soar a Tuxedomoon ou Crime and the City Solution e uma segunda muito experimental que definimos como Lenita Gentil a acordar um dia e julgar que era Nina Hagen.

Por fim, veio o mestre. Tom Waits himself. Um concerto para o qual as palavras não chegam. Um concerto que nos fez, após terminar, ficar ainda longo tempo junto à porta de entrada nos bastidores à espera de o ver, de lhe dirigir umas palavras. Um concerto numa sala que exalava fausto na opulência da plateia e camarotes e Fausto no contraste entre estes e o palco, negro como breu e moldável á nossa vontade. No fim, depois de um concerto que me proporcionou a minha primeira experiência religiosa, estávamos prontos para o crash emocional. E para o Postini foi o que aconteceu. Ainda hoje penso que não chegámos mesmo a sair de Berlim. Acho que ninguém alguma vez deixa aquela cidade.

Novembro 02, 2009

A Feira do Livro de Belgrado - a língua portuguesa

A língua portuguesa estava presente, não só com os livros de Paulo Coelho mas com algo mais. Por lá encontrei (e comprei) José Saramago, José Eduardo Agualusa e Fernando Pessoa (Álvaro de Campos) que comprei em sérvio para oferecer.

A compra de autores de língua portuguesa

Foi curioso ter descoberto, uns dias antes, em passeio pela cidade, Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago tanto em alfabeto cirílico como latino e estando, neste caso, no segundo lugar do top de vendas de uma livraria do centro da cidade. Também encontrei, numa outra livraria, o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis, numa descoberta que me surpreendeu um pouco.

Também se encontrou por lá a banca para a língua portuguesa, embora dedicada de forma
mais simplista a autores portugueses, brasileiros e angolanos. Infelizmente não era possível comprar livros, estes estavam presentes apenas para amostra. Após perguntar a um funcionário da embaixada angolana como poderia comprar livros traduzidos para servo-croata, foi-me indicado que me dirigisse à própria embaixada, onde isso talvez fosse possível. Uma má comparação com a banca dedicada à Espanha ou Japão, enormes e onde era possível comprar todos os livros expostos.

A banca de Angola-Brasil-Portugal

Pormenor de livros expostos (não para compra)

Nota extra para o facto de o livro de Agualusa ser traduzido da edição inglesa. A capa é bonita, a edição cuidada e até vem o destaque de ter sido o romance em língua estrangeira do ano de 2007 para o Independent. Pena que não se tente apostar em traduzir estes livros do original.

Em baixo vem a colheita total, sendo que quase todos os livros estão em servo-croata, tendo sido comprados para as pessoas com quem visitei a Feira.


Última nota para o facto de o servo-croata poder ser escrito em alfabeto latino ou cirílico (algo diferente do cirílico russo, contudo). Os croatas geralmente lêem e escrevem exclusivamente em latino (embora possam saber por vezes o cirílico) enquanto que os sérvios usam os dois alfabetos de forma indistinta (historicamente há, contudo, tendência para o cirílico).

Feira do Livro de Belgrado - a feira

Entrada do pavilhão principal

Uns dias em Belgrado e entre tudo o que fui fazendo, deu para ver a Feira do Livro local. Organizada em três pavilhões, dos quais um dedicado a bancas organizadas por outros países e os outros dois com uma organização central simples: no centro do espaço circular estavam localizadas as editoras enquanto que em volta deste espaço estavam localizadas as livrarias.

Vista da zona central, com as editoras em destaque

O país em destaque era a Grécia, com uma área bem destacada na zona central do pavilhão principal. Para compra estavam disponíveis livros de autores gregos no original, em servo-croata e em inglês, tal como de autores sérvios em grego. Não só prosa e poesia, mas também livros sobre história, arte, geografia e até de teor mais turístico. O turismo assume especial importância até pela proximidade geográfica, histórica e cultural entre os dois países. Para além da compra de livros era també possível assistir a palestras e mesas redondas com autores, professores e outros responsáveis gregos.

Área dedicada à Grécia

Entre as várias editoras, destaco a GeoPoetika, com autores de qualidade (e que vendem bem) mas que, além disso, ainda disponibilizavam autores sérvios em inglês. Gostaria de ver editoras portuguesas a apostar elas mesmas em edições traduzidas de autores portuguesas. Talvez existam, mas nesse caso não as conhecerei.

Banca da GeoPoetika

Detalhe com destaque para autores sérvios traduzidos

Durante a Feira também iam surgindo algumas acções de animação ou de promoção cultural, não só as tradicionais sessões de autógrafos, com os autores sempre disponíveis para permanecerem a conversar com quem passasse, sobre as obras ou qualquer outro assunto. Uma acção curiosa destinou-se a promover um livro sobre a História da Sérvia, durante a qual alguns figurantes vestidos com trajes medievais iam passando pelas bancas.

Acção de promoção de um livro sobre História da Sérvia

O espaço era também consideravelmente grande e estava bastante concorrido. Isto é ainda mais de destacar uma vez que era um dia de semana e estávamos a meio da tarde. Para mais os preços dos bilhetes não eram assim tão confortáveis para as bolsas sérvias, especialmente para estudantes e desempregados, os quais até teriam mais disponibilidade para a visita durante o dia. Em baixo estão fotografias com vistas gerais do pavilhão.

Vista geral do pavilhão. Ao centro as editoras e no perímetro as livrarias

Pormenores curiosos surgiram ao ver os livros. Obviamente que não domino a língua sérvia, por isso não podia andar a comprar livros para mim, mas era curioso ver as disposições das colecções, a qualidade das mesmas e o tipo de autores em destaque. Em baixo estão alguns pormenores.

Uma forma interessante de dispor os livros

Não é da Margarida Rebelo Pinto, mas é também uma autora. O título do livro penso que será Terceiro Sector e a mulher da capa estará a pensar «... sou uma mulher em transição»

Paulo Coelho é best-seller em todo o lado, como se pode ver

No outro post, a parte sobre a língua portuguesa.

Outubro 31, 2009

Mediterrânico

Uma bela semana a terminar. Belgrado tem um outro encanto num Outono ameno, como este. O verde de algumas árvores mistura-se com o dourado de outras. As pessoas andam pela rua mas não se sente o calor opressivo do Verão. Há mais gente em todo o lado agora que as férias acabaram. Passar ao lado das faculdades dá uma imagem jovial à cidade e oferece deleite à vista de qualquer homem.

E há cultura, muita. Na Kalamegdan estão duas exposições de fotografia ao ar livre: uma sobre a Rússia e outra sobre a própria Sérvia. No espaço de uma semana foi possível ver Rigoletto e Nabucco, a primeira por nove euros e meio e a segunda por um euro menos. Ontem fui à Feira do Livro de Belgrado a qual, segundo me dizem, está mais pobre que antes das guerras. Ainda assim assemelhou-se a um Parque Eduardo VII ao domingo. E com entrada paga. A colheita apresento depois, quando chegar a casa e retirar as fotografias da máquina.

Saio sempre desta cidade com um certo calor interior. As pessoas sabem receber e, mais que isso, têm genuíno prazer em fazê-lo. Um pouco como os portugueses, mas isso não é de estranhar. O Mar Mediterrânico está ali ao lado.