Factos simples: se houver novamente emigração em massa, esta não será como a dos anos 50 e 60. Diferenças e consequências:
- Será, primeiro que nada, maioritariamente de jovens até aos 30-35 anos de idade. Muitos que saíram nessa altura eram jovens, mas não todos. Por outro lado têm uma formação muito superior à de então. Isto aumenta-lhes as possibilidades de encontrar um bom emprego fora do país e, ao mesmo tempo, facilita a adaptação ao país de adopção. Os incentivos para voltar serão, também por isso, muito menores.
- Os pais de quem partia na altura viviam na miséria. Os emigrantes encarregavam-se então de lhes enviar mensalmente algum dinheiro para os ajudar a minorar as dificuldades. A miséria era tanta que até valia a pena ir pagando e construindo a casa para o regresso. Os actuais emigrantes jovens têm pais que têm emprego e, embora com crescentes dificuldades, vivem melhores que os filhos. Não precisarão, em princípio, do apoio dos filhos. Estes, pelas razões também apresentadas acima, pouca motivação terão para enviar remessas.
- Como quem saía era gente com poucas qualificações, havia pouco investimento estatal a sair do país e pouca perda em termos de inovação futura. Actualmente o cenário é o oposto.
- O país de então não os queria deixar sair. Isso, mesmo com a ditadura, dava a ideia de o país os querer. Este governo incentiva os seus jovens a sair, o que não pode deixar de desmotivar o regresso.
- Quem saía na altura mantinha-se dentro de comunidades do país. Criavam-se ilhas de portugueses nos países de destino. Estes jovens casam com locais e com outros emigrantes de outros países. A própria língua perder-se-à pela segunda geração.
A conclusão é simples: o governo está a despachar os jovens (que custaram mas não custam dinheiro) para evitar a tensão social. Ao remover a rede de consulados e de ensino da língua corta-lhes os laços com o país. Daqui por vinte anos teremos um velho a governar um país de seis milhões de velhos e dois milhões não tão velhos. E a ser governado à distância por algum Barack Ribeiro Obama ou uma Angela Silva Merkel. Já estivemos mais longe. Valha que ainda bebam o Licor Beirão.
* - sim, eu sei, o governo não patrocina, mas só porque neste momento não patrocina absolutamente nada que não dê dinheiro aos bancos nem jobs aos boys.
PS - ler também (e preferencialmente) o Tiago Barbosa Ribeiro e o Rui Bebiano.


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