Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

Pensamentos pouco natalícios


Uma simples visita a Portugal por altura do falso nascimento de cristo e lá me recordo de algumas razões que me fizeram de lá sair. Muito especificamente e em relação à minha região de origem, Leiria-Batalha, dois exemplos.

Aqui há uns anos, a Câmara Municipal da Batalha decidiu atacar o problema da deterioração do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, vulgo Mosteiro da Batalha, causada pela passagem de trânsito na Estrada Nacional nº1 mesmo ao lado. A solução, ao invés de ser a criação de uma boa estrada nacional que passasse ao largo da vila ou o desvio do traçado da nacional, foi a criação da A19. Uma vez terminada, ficou com um total de 14 km entre o nó de Leiria (que também une a A8 e a A1, é um fartote de autoestradas) e o nó de São Jorge, os quais custam 1,10 € para serem utilizados. E apenas com pórticos, claro está, que isto de pagar custa dinheiro. Até hoje terá tirado da EN 1 apenas e só os carros que se enganam na entrada porque esta parece ter sido feita de propósito para enganar condutores. Os únicos que devem ter ganho com a história são os construtores, os concessionários (que têm os lucros garantidos pelo estado) e os donos das terras que foram expropriadas.

Na visita ao Leiria Shopping para trocar uma prenda, acabei por reparar na forma como os transportes públicos têm sido destruídos. São 118 lojas, um hipermercado Continente, um cinema e mais sabe-se lá o quê. O estacionamento é gratuito ao ar livre e em dois estacionamentos subterrâneos. O shopping em si fica fora da cidade e é servido apenas por uma linha de autocarros que foi criada para servir a escola superior de educação ao lado. No dia em que fui, 27 de Dezembro, o parque de estacionamento estava cheio em todos os níveis. Alternativas de transporte não existiam. Quem lá queira ir tem de o fazer de carro. Quem queira usar o autocarro para ir à ESTG vê-se sujeito aos engarrafamentos causados pelos alegres utilizadores do shopping. Isto aumenta o PIB pois então (carros, gasolina, impostos, pneus, construção de garagens, etc) mas não faz muito pela produtividade.

Poderia falar de outras coisas, mas para agora não me apetece. Estive com a família e isso é sempre bom. As azias causadas pelo país de onde vim seguem-se depois.