Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011

Propaganda raivosa à antiga


Alguém, pel'amordedeus que explique à matilha direitista sanguinária que José Sócrates se foi embora e que provavelmente nunca terá capital político para voltar (felizmente). Não vale a pena estarem a fazer o pino com declarações normalíssimas para o continuarem a atacar.

Sócrates disse que «[p]ara pequenos países como Portugal e Espanha, pagar a dívida é uma ideia de criança. As dívidas dos Estados são por definição eternas. As dívidas gerem-se.» Isto, que é uma evidência para qualquer pessoa com massa cinzenta e que não esteja a estrafegar de raiva cega e de vontade de desviar as atenções para este autoritarismo neoliberal do governo, parece ser uma afronta. Apesar de ser evidente eu explico: as dívidas, seja de países grandes ou pequenos, nunca desaparecerão. A dívida de um país, seja ele qual for, é impagável. Isso não implica que as dívidas dentro d'A Dívida não sejam pagas. São-no. Caso contrário os bancos não emprestariam dinheiro a ninguém.

É isto que Sócrates disse. E é lógico. Mas se estes senhores e meninos e atrasados mentais não o percebem é problema deles. Só que eu não acredito nisso. Percebem, mas vão pela via da desinformação. A estratégia é tão antiga como o fascismo. Uuuupsss, escrevi o termo "F"-ismo. Estou tramado...

Adenda: aparentemente Sócrates veio esclarecer (através de "uma fonte que falou no seu nome") que a «ideia de criança pagar uma dívida de um país por inteiro e imediatamente». E pronto, o pouco crédito intelectual que eu lhe dava foi assim esmagado. Isso não invalida o que escrevi acima, no entanto.

1 comments:

LA disse...

Pois, o pior é quando a dívida dentro da dívida se torna ela própria impagável. E essa já não é eterna: tem a consequência mediata ou imediata de ninguém emprestar mais dinheiro, ou emprestar a juros que não são suportáveis.
E quando é que a dívida dentro da dívida se torna impagável? Simplesmente quando ela pesa mais no PIB do país do que a riqueza gerada nesse país. Ou pelo menos quando, ocorrendo essa situação, ela não é revertida em tempo útil. Foi o que aconteceu à Grécia, a Portugal, e começa a acontecer a outras Economias.
Mesmo as grandes economias podem cair, debaixo dessa regra elementar do equilíbrio das contas públicas. A Alemanha, por exemplo, que parece imune a todas estas ameaças, pode entrar no mesmo pântano. Uns quantos bancos que entrem em falência, um défice mais pronunciado, e os juros da dívida soberana a entrarem na escalada de terror, e aí está o esmagamento.
Está certo? calro que não. Especulação? claro que sim. E agora, soluções? ou consideramos a dívida odiosa, como fez o Equador (mas com bastante petróleo para se aguentar), ou controlamos a dívida. A tal dívida eterna, que deve ser gerida, sim, mas muito aquém da caprichosa fantasia e desgovernada ideologia do sr.sócrates, à mistura com muita falcatrua e casos de Polícia.
Por enquanto, fica o benefício da dúvida quanto ao futuro da Europa. E muito por culpa de filósofos da treta como o Sócrates, e da desmesurada afirmação de poder do "Merkozy", só na aparência alheia às leis da globalização.
Só pergunto: estes alemães e franceses não leram os livros de História económica?