Numa altura em que tanto se fala de emigração, descrevo o meu caso.
Fiz o meu curso, engenharia química, em Coimbra. Demorei 8 anos, passados entre curso, associação académica, órgãos de gestão da faculdade e universidade e actividades culturais. Também me diverti, como é evidente. Tivesse sido eu um tudo nada mais aplicado, apenas uns 5% mais, e não teria tido necessidade de gastar o 8º ano a fazer apenas 5 cadeiras. Sete anos teriam bastado.
Algo que não tive neste tempo todo de aprendizagem científica, técnica, cultural e humana foi uma experiência internacional. O programa Erasmus estava disponível, mas o meu departamento não reconhecia na altura cursos feitos ao abrigo do programa. Seria uma perda de tempo e não havia dinheiro para esses turismos. Optei portanto por fazer um estágio Leonardo da Vinci, numa empresa alemã em Göttingen, por um ano. Recebia nesse período um total de 550 euros líquidos, entre bolsa e contribuição da empresa. Deu para os custos de vida (estava num quarto em residência universitária), algumas viagens na Alemanha, sair com amigos e visitar a família em Portugal. No final não fiquei, porque entretanto surgiu a crise de 2002. Voltei ao país e à casa dos pais.
Em Portugal fiquei pouco tempo, menos de um ano, a trabalhar numa pequena fábrica, daquelas empresas de família (não a minha, nada tinha a ver com eles) que fazem tudo da mesma forma há 50 anos. Cansei-me doi desperdício de recursos e decidi-me a fazer outra coisa. Fui fazer um doutoramento na Holanda graças às portas que me foram abertas por uma recomendação do meu chefe alemão após o bom trabalho no estágio.
Isso foi no final de 2003. Desde então fiquei na Holanda. 4 anos na universidade, dois numa empresa holandesa e agora numa universidade alemã, fronteira à Holanda onde ainda vivo. Isto foi a biografia. Agora falta a experiência pessoal (continua).


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