Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2012

No escurinho do cinema (14)


Keep it simple stupid!

A frase acima é usada e abusada em dezenas de áreas. Dela decorre um mandamento simples: não inventes! Faz o que tens a fazer e não compliques as coisas.

Lembrei-me da frase (e do mandamento) ao ver The Ides of March, de George Clooney. A história é simples e as intrigas também. Aliás, ao ver o filme pensei em como aquelas manobras me pareciam pouco sofisticadas, em como se aparentavam àquelas a que me dedicava nos meus tempos de Coimbra e da AAC. Este filme é simples, dedica-se mais às pessoas do que à intriga. Entrega papéis às suas personagens, escolhe actores de qualidade para cada uma delas e vai filmando calmamente, sem alaridos.

A isto não é estranho o facto de o filme adaptar uma peça de teatro, Farragut North, de Beau Willimon. No teatro, o essencial é que o público siga a acção, que entenda os jogos subtis entre as personagens, e por isso se depuram os detalhes não essenciais e que compliquem o enredo.

O problema é, a certa altura, a falta de um alarido simples: o diálogo. Se há algo que falha é mesmo a qualidade dos diálogos. Falta um momento que marque, onde dois actores de qualidade se enfrentem com um texto impecável, duro e cortante, e agarrem a atenção dos espectadores. Falta, portanto, um pouco de David Mamet.

O esforço não está mau e aponta na direcção certa. Clooney não é mau realizador (longe disso) e sabe o que quer fazer, mas faltam alguns detalhes simples para fazer deste filme um clássico. Assim, como saiu, é apenas bastante bom. Para comparação com o que vai passando nos cinemas já não é nada mau.